segunda-feira, 14 de junho de 2010

Redes Sociais, Comunidades Virtuais e Mídias Digitais

Redes: uma nova forma de atuar

As redes sociais virtuais estão hoje muito em voga, todo mundo tem o seu perfil em alguma delas: Orkut, Facebook, MySpace, Twitter. Há também as redes sociais em torno de profissões ou comunidades científicas, reunindo profissionais e pesquisadores por área de interesse. Ao usarmos o termo “redes sociais”, por estar tão associado às redes sociais virtuais já mencionadas, temos a idéia de que se trata de um conceito novo. Ao contrário, não podemos sequer dizer que as redes sociais fazem parte da história da humanidade, pois elas são a própria história da humanidade, se entendermos rede social como a teia de relações estabelecidas na execução de nossas atividades cotidianas.

Alguns autores consideram a sociedade pós-industrial capitalista, fragmentária, individualista e egoísta. Para Hume (1983 apud COSTA, 2005), a generosidade humana é limitada por natureza, tratando-se menos de egoísmo do que de parcialidade, pois todo ser humano está limitado ao seu clã. Para Wellman & Berkowitz (1988):


[...] várias análises recentes sofrem de uma “síndrome pastoral”, que compara nostalgicamente as comunidades contemporâneas com os supostos velhos bons tempos. É assim que sociólogos urbanos dizem que o tamanho, a densidade e heterogeneidade das cidades contemporâneas têm alimentado laços superficiais, transitórios, especializados e desconectados nas vizinhanças e ruas. Com isso, os laços de família extensos têm se esvaziado e deixado os indivíduos sozinhos com seus próprios recursos, além de poucos amigos, transitórios e incertos. (WELLMAN; BERKOWITZ apud COSTA, 2005).

Segundo Costa (2005), as comunidades não estariam completamente condenadas na sociedade atual nem existiriam em abundância nas sociedades pré-industriais. Para o autor, o que ocorre é uma mudança de enfoque, das relações de vizinhanças vivendo em pequenas cidades para as relações sociais e sistemas informais de trocas de recursos que vivemos hoje, o que remete a uma transmutação do conceito de “comunidade” em “redes sociais”.

Essas “trocas de recursos” mencionadas pelo autor nada mais é do que a troca de informações. As redes sociais são mais uma característica da sociedade da informação, são ao mesmo tempo o reflexo da “explosão da informação” de que tanto ouvimos falar, e são também uma das causas dela. A nova configuração de comunidades, ou redes sociais é complexa, não tem mais limites geográficos, de vizinhança ou parentesco. Isso possibilita uma interação e cooperação muito maior entre os “nós” dessas redes sociais, ou seja, entre os “atores sociais”, sejam eles virtuais ou não. Assim:


A atual emergência dos novos valores e novos pensamentos é possível graças ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação e da informática, às inovações e novas descobertas do pensamento cientifico, à globalização, à evolução da cidadania, aos resultados desastrosos da forma atual (hegemônica) da organização humana, à evolução do conhecimento científico sobre a vida; às novas formas de gerenciamento e atuação empresarial, ao papel determinante da informação e do conhecimento na vida social. (AMARAL, [s.d.]).

E os bibliotecários? Devem atuar como facilitadores/mediadores/promotores das conexões dessas redes, são eles próprios “nós” ou “atores sociais” das novas comunidades virtuais. E as bibliotecas? Devem abrir suas “portas” e seus “portais” deixando que seus espaços físicos e virtuais sirvam de palco para as novas configurações sociais.


REFERÊNCIAS




COSTA, Rogério da. Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades pessoais, inteligência coletiva. Interface (Botucatu) [online]. 2005, v.9, n.17, pp. 235-248. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-32832005000200003&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 14 jun. 2010.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Museus na Web


É possível visitar os sites de inúmeros museus na Internet, pois, como tudo mais no contexto atual de nossa sociedade, a grande maioria dos museus possui um site para divulgar suas informações. A natureza das informações divulgadas determina a que categoria pertence determinado site de museu. Conforme Schweibenz (2004, apud CARVALHO, 2008), podemos identificar, no ambiente da Internet, as seguintes categorias de museu:
a) museu folheto: contém informação básica sobre o museu (tipos de coleção, detalhes de contatos, etc.), com o objetivo de informar visitantes potenciais;
b) museu de conteúdo: possui serviço de informação para o visitante virtual, porém é mais útil para especialistas do que para leigos porque o conteúdo não está desenvolvido didaticamente. Tem o objetivo de proporcionar um retrato detalhado de suas coleções;
c) museu do aprendizado: oferece diversos pontos de acesso para seus visitantes virtuais, de acordo com suas idades, antecedentes e conhecimento, pois a informação é apresentada didaticamente e relacionada, através de links, a informações adicionais para que o visitante virtual aprenda mais acerca de um assunto. O objetivo é fazer o visitante virtual retornar e estabelecer uma relação pessoal com a coleção on line;
d) museu virtual: é o próximo passo do ‘museu do aprendizado’, proporciona não apenas informação acerca das coleções da instituição, mas conecta a outras coleções digitais. Não possui acervo físico.

Visitando os sites de museus apresentados a seguir, identificamos as diferentes categorias listadas acima, porém, podemos perceber que as categorias se misturam, sendo uma tarefa difícil classificar determinado site em determinada categoria, pois estas não estão ainda bem definidas. O Web Gallery of Art, por exemplo, não possui acervo físico e conecta o visitante com o acervo de diversos museus da Europa, podemos considerá-lo um museu virtual. Seu conteúdo é bastante detalhado, sendo possível fazer “visitas guiadas” pela arte alemã, ou pelos pintores italianos. O Museu Virtual de Arte Brasileira, da mesma forma, é um museu virtual, pois conecta o visitante com outros sites relacionados a seu conteúdo e também com outras coleções. É apresentado de forma didática, não por idades e antecedentes dos visitantes, mas de forma que o público leigo possa entender e não somente especialistas em arte; não possui acervo físico. O MUVA, Museu Virtual de Artes, pode ser considerado um museu virtual, pois, não possui acervo físico. Neste caso foi simulado um prédio de museu, onde o visitante pode passear, começando “ao ar livre”, onde há inclusive o “barulho do mar”, passando pela porta de entrada do museu, e visitando as diferentes galerias. Podemos dizer que o Museu Virtual do Iraque pertence à categoria museu do aprendizado, pois seu acervo é apresentado de forma didática, embora não conecte o visitante com outras informações sobre os assuntos que apresenta. O MASP, Museu de Arte de São Paulo, é um museu de conteúdo, pois possui informações detalhadas sobre seu acervo, incluindo a reprodução das obras, porém não o disponibiliza ao usuário leigo de forma didática, não possui, por exemplo, exposições virtuais, traz informações sobre as exposições no museu físico somente, e para encontrar informações sobre determinada obra ou artista o usuário já deve conhecer a obra ou o artista para fazer a busca que deseja. O MARGS, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, assim como o MASP e pelos mesmos motivos, também pode ser considerado um museu de conteúdo. Um exemplo de museu folheto é o Museu Júlio de Castilhos, que traz somente informações sobre seu ambiente físico, não mostrando seu acervo no site.

Seja em qual for das categorias, é de extrema importância que as unidades de informação possuam um site na Internet. Se não houver recursos para isso, pelo menos um blog contendo um mínimo de informação sobre a unidade deve ser colocado na rede, pois não é possível ficar de fora deste imenso espaço para divulgação da informação que é a Web. O objetivo deve ser sempre o de alcançar a categoria seguinte, mas isso demanda recursos, nem sempre disponíveis. Porém, não é pela falta de recursos que não teremos informações on line: os profissionais da informação devem ser criativos e disponibilizar ao usuário virtual tudo o que puderem sobre a unidade de informação onde atuam.

São muitas as vantagens desses espaços virtuais, pois tornam a informação sem fronteiras. Alguns autores colocam a questão do fim dos museus físicos em função de que o usuário passaria a freqüentar somente o espaço virtual. É uma visão catastrófica e despropositada, pois uma visita virtual não pode ser comparada a conhecer pessoalmente um museu, visitado, muitas vezes, não apenas pela exposição que apresenta, mas também por sua arquitetura, a cultura local, enfim, são inúmeras as motivações. Uma coisa não exclui a outra e sim complementa. Teremos mais condições de aproveitar uma visita a um museu físico se chegarmos lá sabendo previamente algumas informações sobre seu acervo, seus objetivos e até sobre seu horário de funcionamento, pois não é possível visitar uma exposição se faltam dez minutos para fechar. Desde a informação mais básica sobre a unidade, até informações sobre a exposição, todas são bem vindas na rede e encontrarão quem delas necessite. É a lei de Ranganatham, “para cada livro, seu leitor”, adaptada ao mundo virtual: para cada informação, seu usuário.


Referências

CARVALHO, R. M. R. de. Comunicação e informação de museus na internet e o visitante virtual. Museologia e patrimônio, v.1, n.1, jul.-dez. 2008, p. 83-94. Disponível em: http://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/index.php/ppgpmus/article/viewFile/8/4. Acesso em: 31 maio 2010.

LOUREIRO, M. L. de N. M. Webmuseus de arte: aparatos informacionais no ciberespaço. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 2, maio-ago. 2004, p. 97-105. Disponível em: http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/93/84. Acesso em: 31 maio 2010.

OLIVEIRA, J. C. O museu digital: uma metáfora do concreto ao digital. Comunicação e Sociedade, v. 12, 2007, p. 147-161. Disponível em: http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/view/4796/4509. Acesso em: 31 maio 2010.

domingo, 30 de maio de 2010

Jornais nacionais on line

Já falamos dos jornais internacionais, agora vamos falar dos nossos produtos nacionais. Assim como os jornais internacionais, os nacionais também são uma importante alternativa para os profissionais da informação na hora de atender às necessidades de seus usuários. Muitas das questões trazidas pelo usuário ao serviço de referência de uma unidade de informação podem (ou só podem) ser respondidas com notícias dos jornais diários. As edições on line dos principais jornais brasileiros estão aí para facilitar o trabalho do bibliotecário, pois representam maior rapidez e precisão na pesquisa por informações, tanto atuais (edição do dia) quanto passadas (edições anteriores). Além de demandar um grande espaço para armazenamento, os jornais em papel precisavam ser encadernados para que fossem arquivados nas unidades de informação, com isso gerando custos. Além disso, a pesquisa nos jornais impressos é muito mais demorada, e esse tempo gasto também representa custos para a unidade de informação.

A facilidade de acesso a diferentes jornais on line é outro fator importante a ser considerado ao se optar pelas edições eletrônicas ao invés das impressas. Examinando determinada questão em diferentes jornais on line, teremos uma multiplicidade de pontos de vista que enriquecerão a pesquisa; com os jornais impressos o usuário somente teria acesso aos jornais assinados pela unidade de informação. Como mencionamos no último post, Jornais internacionais on line, cada jornal traz a notícia sob a ótica local, ou seja, sob determinado viés, que pode ser interessante observar. Por exemplo, um jornal do estado do Amazonas poderá trazer notícias sobre a febre aftosa com um enfoque diferente de jornais aqui do Rio Grande do Sul (zona livre de febre aftosa), pois lá é zona de risco da doença.

Este diretório, http://www.jornaisdehoje.com.br/jornais_estados.htm, traz uma lista de jornais on line de cada estado do Brasil. Abaixo, links para os principais jornais brasileiros.

ZERO HORA: sediado em Porto Alegre.
O GLOBO: sediado no Rio de Janeiro.
JB ON LINE: sediado no Rio de Janeiro.
FOLHA ON LINE: sediado em São Paulo.
ESTADÃO: sediado em São Paulo.
CORREIO BRASILIENSE: sediado em Brasília.
O ESTADO DE MINAS ON LINE: sediado em Belo Horizonte.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Jornais internacionais on line


Imagine-se lendo um exemplar do The New Iork Times, sentado num dos bancos do Central Park, em Nova Iorque, numa ensolarada manhã de outono. Em seguida vá até Paris, sente-se em um dos famosos cafés da capital francesa e veja quais são as manchetes do Le Monde. Enquanto espera uma apetitosa pasta em um ristorante italiano, veja quais são as notícias do dia no Corriere della Sera. E depois, que tal conhecer as obras de Gaudí, em Barcelona, se conseguir tirar os olhos do Temple Expiatori de la Sagrada Família, veja que notícias se destacam no El Pais. Seria maravilhoso se fosse possível passarmos um dia assim, não é mesmo? Ir de lá para cá, conhecendo as maravilhas do mundo subitamente, ainda não é possível, mas poder saber o que é notícia em todo o mundo, através dos jornais diários de cada lugar, já é uma realidade. Isso é possível através das edições on line dos principais jornais do mundo, que ganham cada vez maior importância.

E como as edições on line dos jornais internacionais podem auxiliar os profissionais da informação em suas atividades diárias? Como comentado no final do último post, Jornais eletrônicos e os profissionais da informação,os jornais on line trazem grandes facilidades aos profissionais da informação, como acesso, armazenamento, recuperação, preservação e disseminação da informação. Os jornais internacionais on line devem ser mais uma opção para os profissionais da informação, na hora de atender aos usuários, pois representam o acesso às notícias de toda a parte do mundo com um grande diferencial em relação aos jornais nacionais (que também podem trazer notícias internacionais), eles trazem a notícia sob a ótica local, isto é, sob o ponto de vista das pessoas do lugar. Outro aspecto importante a ser considerado em relação aos jornais internacionais é a facilidade de acesso a diversas fontes, obtendo-se assim, a mesma notícia sob vários pontos de vista, o que torna possível a percepção de notícias tendenciosas.

Para os profissionais da informação, a questão da confiabilidade da fonte onde se obtém a informação é de extrema importância, logo, o acesso aos jornais internacionais através da Internet representa um grande avanço, pois é possível aceder a fontes tradicionalmente confiáveis, em versão on line. Informação confiável em meio à imensa quantidade de informação disponível na rede. O acesso aos jornais internacionais de forma instantânea supera as dificuldades de acesso aos mesmos jornais no formato impresso, que já chegavam por aqui com grande atraso em relação às notícias que continham. Além de notícias atualizadas, o acesso aos jornais internacionais on line têm mais uma vantagem em relação ao formato impresso: baixo custo. Nesse caso, a unidade de informação terá somente o custo de acesso à Internet (computadores, provedor) e poderá disponibilizar aos usuários todos os jornais disponíveis na rede, enquanto que no formato impresso, pagaria pela assinatura de cada um deles oferecendo ao usuário informação menos atualizada.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Jornais eletrônicos e os profissionais da informação

Características e implicações do jornalismo na Web
A história dos jornais eletrônicos é bastante recente, inicia-se entre 1995 e 1996. Tim Berners Lee cria a Web em 1989 e o primeiro navegador, o Mosaic, é de 1993: a nova interface gráfica é que permite as primeiras publicações dos jornais digitais. No Brasil, os primeiros jornais a disponibilizarem conteúdos on line são o Jornal do Brasil (hoje chamado JBONLINE), em maio de 1995, e O Estado de São Paulo, em dezembro de 1995 (então chamado de NetEstado, na versão digital e hoje ESTADÃO).

Costuma-se dividir a curta trajetória dos jornais eletrônicos em três estágios. O primeiro estágio é chamado de “Transpositivo”: caracteriza-se pela simples transposição do conteúdo dos jornais impressos para o meio digital; inicialmente eram transferidas partes das publicações tradicionais, sem adaptações, ou seja, sem aproveitar os recursos oferecidos pela linguagem não-linear do hipertexto; geralmente eram atualizados a cada 24 horas, com o fechamento da edição impressa e publicadas apenas algumas notícias selecionada do conteúdo impresso. O segundo estágio é chamado de “Metáfora”: ainda é seguido o modelo do jornal impresso, mas já começam a ser explorados os recursos do hipertexto e as possibilidades multimídias, sendo oferecidos alguns serviços diferenciados do jornal em papel, porém, ainda com a idéia de que o jornalismo digital seria apenas um complemento ou uma extensão do jornalismo tradicional. O terceiro estágio é chamado de “Webjornalismo”: o jornal já é um produto destinado exclusivamente para a Internet, explorando a nova linguagem e as possibilidades da Web. (MIELNICZUK, 2001).

O estágio atual possui algumas especificidades que caracterizam o jornalismo eletrônico. São elas: interatividade – o leitor interage com outros leitores, com o autor e com o próprio jornal; customização/personalização de conteúdo – o leitor escolhe o que quer ler, na ordem e no tempo que preferir; hipertextualidade/multimidialidade convergência – o hipertexto é uma linguagem não-linear, onde o leitor é que escolhe o caminho que irá percorrer na notícia, que não mais é composta somente por texto e fotografia (como no jornal impresso), mas também por vídeos, sons e conteúdos de outros sites relacionados ao assunto, que podem estar linkados à notícia; memória – o conteúdo do jornal eletrônico pode ser acessado por qualquer leitor a qualquer tempo, o volume de informação disponível é muito maior do que na mídia impressa, pois o armazenamento é mais viável técnica e economicamente do que o jornal impresso, o leitor terá acesso a todas as edições, recuperando um número muito maior de informação. (MIELNICZUK, 2001).

Este novo contexto do jornalismo on-line exige a adaptação dos diferentes profissionais envolvidos com a informação. Os jornalistas acostumados à mídia impressa devem estar atentos às mudanças a fim de sobreviverem no mercado, que exigirá nova postura, novos conhecimentos. O jornalismo on-line abre portas para novos jornalistas, pois o mercado exige um bom desempenho acadêmico, mas não necessariamente experiência profissional, pois os jornalistas iniciantes não têm noções pré-concebidas do jornalismo, o que facilita seu desempenho com as novas linguagens. (QUADROS, 2002). No início da segunda década do jornalismo digital, já se percebeu uma diminuição da circulação dos jornais impressos. Essa é uma tendência, visto que as novas gerações estão mais habituadas ao uso das mídias digitais. Os jornais impressos terão que se adaptar à nova realidade, não somente em relação às formas e linguagens da Web, mas também ao fato de que os anunciantes, que financiam a mídia tradicional, tendem a migrar para as novas mídias, onde o contato com o consumidor se dá de forma mais direta e específica, diminuindo os custos com a publicidade. (ALVES, 2006).

Os profissionais das ciências da informação, também devem estar preparados para trabalhar nesse novo contexto: a informação agora está muito mais acessível e em muito maior quantidade. Uma única unidade de informação poderá ter acesso a todos os jornais do país e do mundo disponíveis on-line, enquanto até bem pouco tempo tinha que esperar algumas poucas edições impressas, que já chegavam com atraso em relação às notícias. Tanto para os bibliotecários, quanto para os arquivistas e museólogos, o jornal eletrônico traz grandes mudanças: o acesso à informação é facilitado – a quantidade de informação disponível é muito maior, assim como a qualidade da informação também, pois tendo acesso à variadas fontes, pode-se ter uma visão mais ampla e não tendenciosa, diferentemente de quando se tem acesso a poucas fontes impressas; o armazenamento da informação é facilitado – não são mais necessários grandes espaços destinados ao armazenamento de jornais impressos, pois todo o conteúdo esta disponível on-line; a recuperação da informação é facilitada – o conteúdo dos jornais eletrônicos pode ser mais facilmente recuperado do que o conteúdo dos jornais impressos; a preservação da informação é facilitada – o manuseio constante dos jornais impressos leva a deterioração do papel, assim como condições ambientais, umidade e temperatura, além dos riscos químicos e biológicos como o amarelamento e ressecamento do papel e o aparecimento de fungos e insetos que causam a deterioração do jornal, o que leva a perda da informação nele contida, com os jornais eletrônicos isso não acontece; a disseminação da informação também é facilitada – a informação disponível on-line pode ser consumida por usuários de qualquer parte do mundo.

Os profissionais da informação também devem estar habilitados a tratar a informação digital que tende cada vez mais a aumentar. Para isso, devem estar qualificados tecnicamente e também devem assumir uma nova postura diante deste novo contexto que é a “sociedade de informação”. O fim do trabalho é o mesmo: disponibilizar a informação certa e no tempo certo ao usuário; mas os meios e as tecnologias mudaram: o profissional da informação não está mais limitado ao acervo físico disponível na unidade de informação, pois até mesmo a própria unidade de informação pode ser virtual.


Referências

ALVES, R. C. Jornalismo digital: dez anos de web… e a revolução continua. Comunicação e Sociedade, São Paulo, v. 9-10, p. 93-102, 2006. Disponível em: http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/viewFile/4751/4465. Acesso em: 1º maio 2010.

MIELNICZUK, L. Características e implicações do jornalismo na Web. In: CONGRESSO DA SOPCOM, 2., 2001, Lisboa. Disponível em: http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2001_mielniczuk_caracteristicasimplicacoes.pdf. Acesso em: 1º maio 2010.

QUADROS, C. I. de. Uma breve visão histórica do jornalismo on-line. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 25., 2002, Salvador. Anais... Salvador: INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2002.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais

Começa hoje, em São Paulo, o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, que vai até o dia 29 de abril.

O evento reúne especialisatas do Brasil, da Alemanha, da França, da Argentina, da Holanda e do Canadá para trocarem experiências e discutirem sobre os rumos que as políticas públicas devem tomar para que a digitalização de acervos culturais possa promover o acesso a estes acervos pela maioria da população brasileira, que vive distante dos grandes centros e dos bens culturais do país. Serão apresentados grandes projetos de digitalização em curso atualmente, como Wikimedia e Gallica, da França, e Brasiliana, da USP.

A programação pode ser acessada no site do evento, com transmissão ao vivo pela Internet: http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/.

sábado, 24 de abril de 2010

Vídeos educativos e novos formatos para descrição de vídeos em repositórios digitais


O vídeo representa uma nova forma de aprendizagem. Possibilita uma maior interação com os alunos, porque é uma linguagem múltipla, envolvendo imagens, músicas, falas. Trabalha muito mais com o lado emocional do que com a razão. Isso aproxima o aluno do conteúdo educacional, pois o vídeo trabalhado em sala de aula deve ser consonante com o assunto que está sendo trabalhado pelo professor em outras atividades escolares. Todas as práticas devem estar integradas para que o aluno veja sentido na exibição do vídeo. Há uma tendência de se associar o vídeo com diversão e deve-se tirar proveito dessa boa disposição dos alunos para assistir ao vídeo, apresentando-lhes o conteúdo do currículo de forma dinâmica e interessante, diferente das práticas de ensino tradicionais, em geral sem atrativos para os alunos. (MORAN, 1995).


Os vídeos digitais representam um grande avanço na questão do uso dos vídeos na aprendizagem por serem facilmente disponibilizados na Internet, o que os torna acessíveis e utilizáveis por um número muito maior de pessoas, se comparado ao seu antecessor, o VHS. Esses vídeos são armazenados em bancos de vídeos, que são sites que disponibilizam vídeos de todos os tipos. São muito utilizados para diversão e entretenimento, mas também tornam-se importantes fontes de pesquisa para as mais diversas áreas do conhecimento. O mais famoso deles é o You Tube, há também o Google Vídeos e o Vimeo. São sites de fácil utilização, por isso se tornaram tão populares. Existem também os repositórios de vídeos educacionais que disponibilizam somente vídeos educativos, da mesma forma que os demais bancos de vídeos, como o CvTv, o Academic Earth e o You Tube Edu.

Essa facilidade de disponibilização ainda não é suficiente para garantir que se encontre o vídeo adequado para determinado conteúdo que se pretende abordar em sala de aula. Para saber se o conteúdo do vídeo está de acordo com o que se quer mostrar aos alunos, é necessário assistir todo o vídeo. Essa nova realidade trouxe a necessidade de uma descrição de vídeos por palavras-chave, de forma que esta leve diretamente para a cena que trata do assunto representado por determinada palavra-chave. Já existe um formato para descrição de vídeos, o MPEG-7 que pretende disponibilizar ferramentas (que são descritores, que permitem a criação das descrições) para que a busca em imagens, vídeos e arquivos sonoros seja feita da mesma forma que a busca em textos. (DALLACOSTA, 2007)

Aqui na UFRGS, o CINTED (Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação) está desenvolvendo mecanismos de extração de vídeos associados a um repositório de objetos educacionais, o Projeto CESTA (Coletânea de Entidades de Suporte ao Uso de Tecnologia na Aprendizagem). O Projeto pretende sistematizar e organizar a catalogação de objetos educacionais, para que o professor possa localizar vídeos educacionais no repositório do CESTA, através de palavras-chave e exibir o filme exatamente nos pontos onde ocorre cada palavra-chave. (DALLACOSTA, 2007)

Referências

DALLACOSTA, Adriana et al. O Vídeo Digital e a Educação. In: CICLO DE PALESTRAS SOBRE NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO, 9., 2007, Porto Alegre. Anais..., Porto Alegre: UFRGS, 2007, p. 1-10. Disponível em: http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo9/artigos/3bAdriana.pdf Acesso em 22: abr. 2010.

MORAN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação & Educação, São Paulo, n. 2, p. 27-35, jan.-abr. 1995. Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/vidsal.htm Acesso em: 21 abr. 2010.



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Primeiro vídeo do You Tube faz 5 anos hoje


Hoje faz cinco anos que o primeiro vídeo do You Tube foi colocado no que hoje é o maior banco de vídeos da Internet.                                                         
O domínio do mais famoso site de exibição de vídeos foi registrado em 15 de fevereiro de 2005. O primeiro vídeo, no entanto, só foi colocado no site em 23 de abril de 2005, indo ao ar apenas em junho do mesmo ano, ainda em versão experimental.                                                                                            
Hoje faz aniversário:                                                                   
    O lançamento oficial do site foi ocorrer somente em novembro do mesmo ano.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Bancos de Imagens Digitais


Os bancos de imagens digitais são repositórios de imagens disponíveis on line, que podem ser pagos ou gratuitos. Para que essas imagens possam ser recuperadas, devem passar por um processo de indexação, ou seja, é preciso descrevê-la e representá-la com termos. Em geral os bancos de imagens são organizados por categorias de imagens, como por exemplo: pessoas, animais, paisagens, flores, arquitetura, etc. Em alguns casos é possível fazer uma busca booleana através dos sistemas de busca dos bancos de imagens.

 
Com a imensa produção de imagens digitais, característica da sociedade atual, estes bancos de imagens ganham importância como repositórios da memória da humanidade, tornando-se relevantes fontes de pesquisa. O crescimento dos bancos de imagens pode ser percebido tanto pelo aumento do número de imagens digitais disponíveis on line, quanto pelo aumento do número de usuários dos bancos de imagens.

 
Os bancos de imagens podem ser repositórios da memória de determinada instituição ou de determinada área do conhecimento. Há também as agências de notícias que disponibilizam o acervo fotográfico produzido pelos jornais. No Brasil, a mais importante é a D. A. Press – Agência dos Diários Associados, que tem um acervo de 50 milhões de imagens produzido ao longo de 85 anos. São associados a ela 14 jornais que produzem diariamente 2.000 fotos, registrando temas do cotidiano brasileiro e contribuindo para a preservação da memória jornalística. As imagens são comercializadas para utilização, mas podem ser visualizadas sem restrições, sendo assim importante e acessível fonte de pesquisa, considerando-se que a imagem fotográfica é uma poderosa fonte de informação.

 
Existem também os bancos de imagens gratuitos que disponibilizam as imagens livres de direitos autorais. As imagens contidas nestes repositórios podem ser usadas livremente, podendo ser copiadas e publicadas em blogs ou sites pessoais.
Alguns bancos de imagens digitais gratuitos: Stockvault, Everystockphoto, Stock.XCHNG. No Brasil, temos a Agência Brasil e a Agência Senado, bancos de imagens governamentais, que disponibilizam imagens gratuitamente, desde que citada a fonte. O mais interessante é que as imagens são atualizadas diariamente, os repórteres fotográficos chegam a produzir 100 imagens por dia.

Comunidade indígena em comemoração ao dia do índio, hoje, 19 de abril - Raposa Serra do Sol – Roraima.
Fonte: Agência Brasil.

domingo, 11 de abril de 2010

Fotografia: a câmara clara


“Para mim, o barulho do Tempo não é triste: gosto dos sinos, dos relógios – e lembro-me de que originalmente o material fotográfico dependia das técnicas da marcenaria e da mecânica de precisão: as máquinas, no fundo, eram relógios de ver, e talvez em mim alguém muito antigo ainda ouça na máquina fotográfica o ruído vivo da madeira.” Roland Barthes

A fotografia é um universo imenso. Sob que abordagem falar da fotografia? Podemos falar da história da fotografia, da fotografia como suporte, como técnica, como materiais (química, física) utilizados ao longo de sua trajetória. Podemos abordar a evolução da fotografia: a fotografia analógica e digital. Podemos pensar na questão do armazenamento e da preservação de acervos fotográficos, na tarefa de fazer a representação temática e descritiva de fotografias. Na fotografia como informação. É arte? Não é arte? Há questões éticas, o fotojornalismo, enfim, as possibilidades de abordagem são muitas. Para Roland Barthes (1984), “(...) a Fotografia se esquiva.”. Segundo o autor, é difícil saber qual o traço essencial que distingue a Fotografia da comunidade de imagens, ele “não estava certo de que a Fotografia existisse, de que ela dispusesse de um ‘gênio’ próprio.” (BARTHES, p. 12, 1984). Vamos abordar, então, parte da visão deste autor, escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês, sobre a fotografia.

Vídeo com pequena biografia de Roland Barthes (1915-1980):

 
Para o autor, a fotografia é inclassificável, pois todas as divisões às quais é submetida são exteriores a ela: fotografias profissionais ou amadoras; classificações retóricas (paisagens, objetos, retratos, nus); ou classificações estéticas (realismo, pictorialismo). “A Fotografia pertence a uma classe de objetos folhados cujas duas folhas não podem ser separadas sem destruí-los: a vidraça e a paisagem (...)” (BARTHES, p. 15, 1984). A fotografia sempre traz consigo o seu referente, isto é, o objeto fotografado. A foto é sempre invisível, pois não é ela que vemos e sim o objeto fotografado.

Na tentativa de apreender a essência da fotografia, Barthes decidiu tomar como guia de sua análise a atração que ele mesmo sentia por determinadas fotos, a “(...) agitação interior, uma festa, um trabalho também, a pressão do indizível que quer se dizer.” (BARTHES, p. 35, 1984). Assim, nomeou dois elementos que percebia ao olhar fotografias diversas:

O primeiro, visivelmente, é uma vastidão, ele tem a extensão de um campo, que percebo com bastante familiaridade em função de meu saber, de minha cultura; esse campo pode ser mais ou menos estilizado, mais ou menos bem sucedido, segundo a arte ou a oportunidade do fotógrafo, mas remete sempre a uma informação clássica: a insurreição, a Nicarágua, e todos os signos de uma e de outra: combatentes pobres, em trajes civis, ruas em ruína, mortos, dores, o sol e os pesados olhos índios. Desse campo são feitas milhares de fotos, e por essas fotos posso, certamente, ter uma espécie de interesse geral, às vezes emocionado, mas cuja emoção passa pelo revezamento judicioso de uma cultura moral e política. O que experimento em relação a essas fotos tem a ver com um afeto médio, quase como um amestramento.” (BARTHES, p. 45, 1984).

Para exprimir essa espécie de interesse humano, Barthes não encontrou nenhuma palavra em francês, mas sim em latim: studium. Para o segundo elemento, encontrou outra palavra em latim: punctum. Esse segundo elemento, diferentemente do primeiro, parte da cena da fotografia, é um pequeno detalhe que toca o espectador de forma pungente e que faz com que ele goste realmente de determinada foto. O studium seria da ordem do “to like” e o punctum da ordem do “to love”, segundo o autor. (BARTHES, 1984).

Este segundo vídeo explica os dois conceitos:



E um terceiro vídeo Studium and Punctum mostra algumas fotografias e a descrição do que seria o punctum de cada uma delas para o autor do vídeo, claro. Pois se o punctum é algo que toca o espectador, não necessariamente será o mesmo para diferentes espectadores e somente haverá esse punctum em determinadas fotografias, sendo as demais da ordem do studium.


Referências:

BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.